Leopold Nosek (Bialystok, Polônia, 28 de março de 1947) é psicanalista, médico psiquiatra e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Considerado um dos maiores especialistas em Freud e psicanálise no país, recebeu o Sigourney Award 2014, o mais importante prêmio de psicanálise internacional. Foi curador, no Brasil, da exposição Sigmund Freud: Conflito & Cultura (2000), concebida pela Biblioteca do Congresso Americano, e também da mostra Brasil: Psicanálise e Modernismo, ao lado da psicanalista Maria Angela Moretzsohn e do crítico e cineasta Olívio Tavares de Araújo, exibidas no MASP, no MAM (Rio) e na Fundação Santander, em Porto Alegre.

Biografia O primeiro contato com a obra de Sigmund Freud foi na adolescência, quando Leopold entrou para o Jovem Guardião, um movimento juvenil sionista socialista, onde os jovens liam Marx e Freud, como o livro O mal-estar na civilização. Em 1966, Leopold se matricula na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Em 1971, foi preso pela ditadura militar e ficando na Operação Bandeirantes do 2o exercito e no Deops (Departamento de Polícia Política e Social), em São Paulo, onde ficou 45 dias incomunicável e nove meses preso. Formou-se em medicina na Universidade de São Paulo, com especialização em psiquiatria. Leopold começou a atuar como psicanalista em 1973 no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, da FMUSP, e na Comunidade Terapêutica Enfance. Entre 1991 e 1993 foi presidente da Federação Brasileira de Psicanálise. Integrou o Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), em 1977, da qual foi presidente entre 1993 e 1997. Foi editor da revista IDE, da SBPSP, de 1986 a 1992. A experiência como editor se estendeu nos anos seguintes e, no Brasil, também se tornou editor da Revista Brasileira de Psicanálise, publicada pela Federação Brasileira de Psicanálise.

Reconhecimento internacional No âmbito internacional, integrou o board da International Psychoanalytical Association (IPA), entre 2003 e 2007 e foi Chair do Comitê de Psicanálise e Cultura da entidade. Participou da criaçao e foi editor associado da International Psychoanalysis, revista eletrônica da IPA editada em cinco idiomas. Foi membro do Comitê de Psicanálise na China, do Comitê de Terrorismo e Violência Politica, Chair do Think Tank On The Futuro of Psychoanalisys. Também presidiu a Federación Psicoanalítica de América Latina (Fepal), entre 2010 e 2012, quando também fundou a Calibán, revista Latino-Americana de Psicanálise, e presidiu o Congresso Latino-Americano de Psicanálise, no Brasil, realizado em 2012. Em 2014, Leopold Nosek recebeu o Sigourney Award 2014 pelo reconhecimento de seu trabalho institucional e clínico excepcional e pela aplicação da psicanálise na cultura, política e arte, descrito como um homem renascentista da psicanálise.

Obras É autor dos livros A Disposição para o Assombro (2027), uma coletânea de artigos e conferências publicados entre 2009 e 2016, e de O Método Marlow: estudos indisciplinares de psicanálise (2025) , que reúne reflexões, ensaios e artigos publicados a partir de 2005. Editou o livro Álbum de Família, com imagens da chegada da psicanálise em São Paulo. Participou de numerosas publicações em revistas e livros brasileiros e internacionais .

Outros trabalhos Além da dedicação à psicanálise, Leopold tem amplo envolvimento com entidades ligadas à cultura. É membro dos conselhos da Sociedade Amigos do Centro Cultural São Paulo, da qual foi presidente entre 2005 e 2013, da Sociedade Amigos da Cinemateca, da qual também foi diretor executivo, e do Célia Helena Centro de Artes e Educação. Na Cinemateca Brasileira, realizou, dentre outros ciclos, os encontros Cinema e Psicanálise: América Latina sem Fronteiras. É colecionador de arte brasileira e estudioso das obras de artistas como Waltercio Caldas, Arthur Bispo do Rosário e Leonilson. Foi curador do setor Brasil da 5a Bienal das Artes Plásticas da Ásia, que aconteceu em Gwangju, na Coreia do Sul, quando levou ao país a obra de Waltercio Caldas, que recebeu na ocasião o City Light Award, o principal prêmio do evento. Com Olívio Tavares de Araújo, Leopold assinou a curadoria da exposição Dor Forma e Beleza, em 2005, que está estabelecida nas antigas instalações do Deops (Departamento de Polícia Política e Social), onde o psicanalista foi mantido preso político durante a ditadura militar.

Vida pessoal Filho de Leonid Nosek e Fanny Nosek, sobreviventes da Segunda Guerra, Leopold nasceu na Polônia. Seus pais se conheceram quando procuravam sobreviventes da família ao retornarem à Polônia depois do fim da guerra. Em 1941, seu pai, acompanhando seu avô, havia saído do país quando se refugiou na União Soviética, onde se alistou no Exército dois anos depois. Participou da defesa de Leningrado, em seguida foi ferido gravemente, passando então cerca de um ano em hospitais para reabilitação. Sua mãe também saiu da Polônia em 1941. Em função da divisão do território entre a URSS e a Alemanha nazista, sem conseguir voltar para a casa onde morava, sua mãe seguiu também em direção à Rússia, onde durante a guerra trabalhou como meteorologista. Após a guerra, por discordarem do regime político que se implantou na Polônia na época, o casal resolveu emigrar, obtendo autorização como sobreviventes do Holocausto e perdendo a cidadania. Como refugiados apátridas, com passaporte da ONU, Leonid, Fanny, grávida do segundo filho, e Leopold, então com dois anos, chegam à Paris em 1949. Um ano depois, a família desembarca em Santos, onde vivia um tio de Fanny. No Brasil, a família judia teve que se declarar cristã. É casado com a psicanalista Raquel Strada Nosek e tem cinco filhos e dez netos.