A disenteria suína é uma enfermidade entérica grave e altamente contagiosa que afeta suídeos, caracterizada principalmente por uma inflamação severa do intestino grosso (ceco e cólon) que resulta em diarreia muco-hemorrágica. Identificada pela primeira vez em 1921 nos Estados Unidos, a doença é causada pela bactéria Brachyspira hyodysenteriae, uma espiroqueta Gram-negativa e anaeróbica estrita. Embora tenha sofrido um declínio na década de 1980 devido a melhorias nos sistemas de produção, a patologia tem registado uma reemergência significativa na suinicultura industrial moderna, representando um dos maiores desafios sanitários e económicos para o setor devido ao aumento dos custos de tratamento e à redução na eficiência da conversão alimentar. O quadro clínico da doença manifesta-se predominantemente em animais nas fases de crescimento e terminação, com um período de incubação que varia geralmente entre 7 a 14 dias. Os sintomas iniciais incluem fezes pastosas de coloração acinzentada ou amarelada, que evoluem rapidamente para uma diarreia aquosa contendo muco gelatinoso e estrias de sangue, frequentemente referida como «diarreia negra» ou «diarreia de sangue». Os animais afetados apresentam flancos fundidos, perda parcial de apetite e uma desidratação progressiva que pode levar à morte em casos agudos, por vezes num intervalo de apenas 24 horas. Nos casos crónicos, os suínos sobrevivem mas tornam-se portadores assintomáticos, funcionando como reservatórios contínuos da bactéria na exploração. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de animais infetados. A Brachyspira hyodysenteriae possui uma elevada capacidade de sobrevivência no ambiente, podendo permanecer viável no muco ou em fezes húmidas durante vários dias, embora seja sensível a ambientes quentes e secos. Além do contacto direto entre animais, a propagação entre explorações é frequentemente facilitada por vetores mecânicos, como camiões de transporte não desinfetados, botas e equipamentos contaminados, ou por vetores biológicos, incluindo roedores, aves e moscas, que podem transportar o agente patogénico entre diferentes lotes. O controlo e a erradicação da disenteria suína baseiam-se numa combinação de terapia antimicrobiana e rigorosas medidas de biossegurança, uma vez que atualmente não existem vacinas comerciais eficazes disponíveis. O tratamento é geralmente realizado via água de bebida ou ração com antibióticos específicos como a tiamulina, lincomicina ou valnemulina, embora a crescente resistência bacteriana exija monitorização veterinária constante. Estratégias de erradicação mais drásticas envolvem o despovoamento total ou parcial da granja, seguido de limpeza profunda, desinfeção e um período de vazio sanitário para garantir a eliminação do agente do ambiente antes da introdução de novos animais livres de patógenos.
Referências «Disenteria suína - Digestive System». Manual MSD de veterinária. Consultado em 23 de abril de 2026 «As diarreias nutricionais na suinicultura» (PDF) Zimmerman, Jeffrey J., ed. (2026). Diseases of swine Twelth edition ed. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons Inc. ISBN 978-1-394-17943-5 Alvarez-Ordóñez, Avelino; Martínez-Lobo, Francisco Javier; Arguello, Héctor; Carvajal, Ana; Rubio, Pedro (10 de maio de 2013). «Swine dysentery: aetiology, pathogenicity, determinants of transmission and the fight against the disease». International Journal of Environmental Research and Public Health. 10 (5): 1927–1947. ISSN 1660-4601. PMC 3709357. PMID 23665849. doi:10.3390/ijerph10051927 «Programas de controlo e erradicação da disenteria suína» «Patogenia das diarreias dos suínos: modelos e exemplos» (PDF) Mata, J. Roqués (1 de setembro de 2025). «Disentería suína: velhos e novos inimigos». www.3tres3.com. Consultado em 23 de abril de 2026 «Diarreia epidêmica dos suínos (PED).» EFSA Panel on Animal Health and Welfare (AHAW); Nielsen, Søren Saxmose; Bicout, Dominique Joseph; Calistri, Paolo; Canali, Elisabetta; Drewe, Julian Ashley; Garin‐Bastuji, Bruno; Gonzales Rojas, José Luis; Gortázar, Christian; Herskin, Mette; Michel, Virginie; Miranda Chueca, Miguel Ángel; Padalino, Barbara; Pasquali, Paolo; Roberts, Helen Clare (março de 2022). «Assessment of listing and categorisation of animal diseases within the framework of the Animal Health Law (Regulation (EU) No 2016/429): antimicrobial‐resistant Brachyspira hyodysenteriae in swine». EFSA Journal. 20 (3). PMC 8922405. PMID 35317125. doi:10.2903/j.efsa.2022.7124