Ilca Maria Estevão

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Peter Dazeley/Getty Images

O receio envolve a exposição a microplásticos, mas ainda faltam evidências sobre os danos à saúde causados pelo uso de tecidos sintéticos

Microscópio estereoscópico para examinar uma amostra de sedimentos e identificar os microplásticos presentes
Microscópio estereoscópico para examinar uma amostra de sedimentos e identificar os microplásticos presentes · Imagem: Microscópio estereoscópico para examinar uma amostra de sedimentos e identificar os microplásticos presentes

Larissa Pontes, Ilca Maria Estevão

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

12/10/2026 02:00

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

Peter Dazeley/Getty Images

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

O medo dos microplásticos, pensado da perspectiva da cultura do bem-estar, vem redesenhando o guarda-roupa e testa o limite de uma indústria que ainda não sabe viver sem tecidos sintéticos. A preocupação com os efeitos dos tecidos sobre a saúde, no entanto, parece ser mais baseada em uma tendência de comportamento do que em evidências científicas conclusivas.

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Vem comigo entender!

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Leonard Ortiz/MediaNews Group/Orange County Register via Getty Images

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Microscópio estereoscópico para examinar uma amostra de sedimentos e identificar os microplásticos presentes

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A rejeição aos tecidos sintéticos

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

Ler a etiqueta de composição virou um gesto tão comum quanto olhar o prazo de validade de um alimento. Nylon, acrílico e poliéster, que por quase um século foram sinônimo de praticidade, hoje carregam uma péssima fama.

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

SSPL/Getty Images

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Vestido de poliéster

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Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

Segundo o New York Times, essa rejeição vem principalmente da cultura do bem-estar. A mesma lógica que já mudou o modo como as pessoas pensam sobre comida, fitness e skincare agora chega às roupas. A desconfiança com o poliéster em si não é nova: nos anos 1970 e 1980 o tecido passou a ser associado a peças baratas.

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Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde · Imagem: Source: www.metropoles.com

Fang Dongxu/Feature China/Future Publishing via Getty Images

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
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Uma mulher trabalha na maior base de produção de fios de filamentos de poliéster reciclado do mundo, localizada em Siyang, na província de Jiangsu, no leste da China

Tecidos sintéticos têm sido evitados por consumidores preocupados com saúde
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O principal receio atual vem da preocupação com a saúde, em razão da exposição aos microplásticos — partículas minúsculas que cientistas já encontraram em corpos humanos e que podem se soltar das roupas sintéticas com o movimento e com as lavagens. Pesquisas preliminares associam essas partículas a condições como doenças cardiovasculares.

Galina Zhigalova/Getty Images

A economia do bem-estar já representa mais de 6% da economia global

Não há ainda, todavia, comprovação de uma relação causal direta entre microplásticos e doenças. Alguns estudos apontam a ingestão de comida e bebida como principal via de absorção dessas partículas, e a ciência ainda não estabeleceu se, e como, esses plásticos entram no organismo pela pele.

Galina Zhigalova/Getty Images

Segundo o Global Wellness Institute, a economia global do setor chegou a US$ 6,8 trilhões em 2024 e pode alcançar US$ 9,8 trilhões até 2029

O poliéster, é impossível negar, gera microplásticos. O material responde por 59% de toda a fibra têxtil produzida no mundo. Somando todos os sintéticos, a fatia chega a 69%, segundo a Textile Exchange. Só cerca de 12% do poliéster vem de material reciclado.

Andrew Aitchison / In pictures via Getty Images

16% a 35% dos microplásticos que chegam aos oceanos podem ter origem em tecidos sintéticos

Saúde vira status

Para a Business of Fashion, a fuga do poliéster tem mais de uma causa. Preocupações com saúde, o calor mais intenso e o excesso de roupas baratas de poliéster levaram consumidores de várias gerações às fibras naturais.

Thomas Barwick/Getty Images

O poliéster liderou o mercado de roupas para yoga em 2025

Também entra a distinção social. Fibras como algodão, lã ou cashmere são mais caras e as diferenças entre eles são notáveis. Isso pesa num momento em que redes de fast fashion lançam milhares de itens por dia, quase todos sintéticos, para manter o custo baixo.

Hulton Archive/Getty Images

Em 1910, as roupas de frio eram bastas pessoas se vestiam em eram de materiais como lã, algodão, veludo e peles

As marcas perceberam. Rótulos como “clean” e “não tóxico” não têm definição padronizada, e funcionam como a categorização “sustentável” funcionava há uma década. A Reformation passou a destacar a composição de suas peças para atrair quem busca um “vestir mais saudável”. A analista Helen Palmer, da WGSN, resume o raciocínio. O discurso de salvar o planeta já não conquista como antes, e é preciso associar à compra um benefício direto para o consumidor.

Witthaya Prasongsin/Getty Images

Buscas por “clean fashion” quadruplicaram em julho de 2025 em comparação com os anos anteriores

A dificuldade de banir o poliéster

Marcas de design autoral usam poliéster há décadas pela maleabilidade e versatilidade do material. Suas características técnicas permitem desenvolver peças com formas esculturais e alto desempenho, resultados que nem sempre são facilmente alcançados com fibras naturais.

THIERRY ORBAN/Sygma via Getty Images

Desfile Issey Miyake em 2001. A grife usa muito poliéster para manter os plissados

Um sintético bem desenvolvido entrega caimento, pela transparência e pela estrutura, características que dificilmente poderão ser alcançadas por outros meios, o que revela a dificuldade em substituir completamente a fibra não só nas fast fashions, mas também nas grandes grifes.

Giovanni Giannoni/WWD via Getty Images

Desfile Balenciaga

O dilema

O medo dos microplásticos já mudou o discurso de marcas, de políticos e de consumidores, mas o poliéster segue sendo a fibra mais produzida do mundo e segue entranhado do fast fashion à moda de luxo. A ciência ainda tenta responder se vestir sintético faz mal. O mercado, por sua vez, já aprendeu a vender a resposta que o consumidor quer ouvir, ainda que não seja inteiramente verdade.

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Uma trabalhadora produz um lote de filme de poliéster destinado à exportação

CFOTO/Future Publishing via Getty Images

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Um saco contendo 200 kg de poliéster

Leon Neal/Getty Images

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manifestante ambiental, segura cartazes pedindo a proibição do uso de plásticos e ações concretas, em vez de discursos, para enfrentar a emergência climática