Claudia Meireles

As canetas emagrecedoras estão em alta, porém, o cuidado deve ser redobrado para realizar o tratamento; nutricionista explica

Andressa Sarkis, Claudia Meireles

04/10/2026 02:00

Getty Images
As canetas emagrecedoras estão em evidência e têm gerado diversos debates sobre os benefícios e os perigos do uso. As injeções ganharam popularidade pela maneira rápida e aparentemente “fácil” de perder aqueles quilos extras. No entanto, esses mecanismos podem acarretar sérios riscos à saúde para quem os utiliza se não for feito acompanhamento médico.
A nutricionista especializada em nutrição clínica e esportiva Viviane Vaquero Fernandez, de Goiânia, alerta para os perigos de utilizar esses dispositivos injetáveis sem realizar o acompanhamento nutricional apropriado.
“Como esses medicamentos reduzem o apetite, algumas pessoas acabam comendo muito pouco. Isso pode dificultar o consumo adequado de proteínas, vitaminas, minerais e fibras, favorecendo perda de massa muscular e causando uma possível desnutrição. Fora os sintomas gastrointestinais, como náusea, constipação, diarreia e vômitos, que podem ocorrer durante o tratamento”, explica a nutricionista.
Segundo informações do National Institutes of Health (NIH), disponibilizadas pelo National Library of Medicine (NLM), o uso de medicamentos injetáveis pode gerar sintomas adversos, a depender do organismo de cada paciente, o que evidencia a necessidade de seguir um plano guiado ao realizar o tratamento.
Riscos e precauções
Ter um cronograma alimentar auxilia a dieta e a ingestão de nutrientes imprescindíveis para um funcionamento corporal saudável, especialmente para quem utiliza métodos injetáveis para emagrecimento. Viviane comenta, ainda, sobre os cuidados ao aderir a jejuns prolongados, que podem acontecer entre quem faz uso das canetas.
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“Algumas pessoas pensam que, se não está com fome, quanto menos comer, melhor será o resultado. Mas não é assim. Mesmo com o apetite reduzido, o organismo continua precisando de recomendações nutricionais diárias. Por isso, a nutricionista ajuda o paciente a organizar uma alimentação que seja adequada ao novo nível de apetite, sem a necessidade de grandes volumes de comida, e sem comprometer a massa muscular”, explicitou Viviane.
Há alguns sinais que merecem atenção e que podem representar possíveis problemas futuros à saúde. Tais possibilidades devem ser monitoradas com frequência, para evitar a piora do quadro e um eventual desenvolvimento de reações mais graves.
“Relatos de fraqueza excessiva, tontura, desidratação, queda de rendimento físico, perda importante de força, dificuldade para se alimentar e sintomas gastrointestinais persistentes são sinais que merecem um cuidado especial”, alertou a especialista.
Embora a perda de peso rápida seja um fator chamativo para quem deseja “secar”, as pesquisas sobre a segurança contínua dessas injeções para emagrecimento ainda são limitadas.
Alexey Zakirov/Getty Images
A perda de peso é multifatorial
Viviane informa que o primeiro passo é garantir que o paciente faça ingestão de fontes nutricionais necessárias para manter a saúde do organismo.
“Primeiramente, garantir a ingestão suficiente de fontes de proteínas, manter uma boa hidratação e incluir alimentos variados, como frutas, verduras, legumes, carboidratos e fontes de gorduras de boa qualidade, como abacate, azeite de oliva extravirgem, oleaginosas, sementes e peixes, como sardinha, salmão e atum”, explica a nutricionista.
A fim de prevenir efeitos colaterais indesejados, a especialista também atenta para ultraprocessados, açúcares, frituras e álcool, e aconselha a evitar esses alimentos.
Thianchai Sitthikongsak/Getty Images
Emagrecimento saudável
A importância de um tratamento em conjunto
Aliar o acompanhamento médico e nutricional com o uso de canetas emagrecedoras, conforme cada paciente, aumenta a segurança do processo. A nutricionista goiana explica que o tratamento funciona melhor e com mais chances de sucesso quando realizado em conjunto.
“O médico acompanha a indicação e a evolução do tratamento medicamentoso e possíveis efeitos adversos. O nutricionista acompanha a alimentação, a ingestão de proteínas e nutrientes, a composição corporal e as dificuldades que aparecem no dia a dia.”
Um exemplo dado por Viviane ressalta a importância de se ter vários olhares profissionais para analisar um só caso.
“Se o paciente está com náuseas importantes ou praticamente não consegue comer, isso precisa ser avaliado pela equipe. Náuseas persistentes podem reduzir a ingestão de alimentos e líquidos, favorecendo desidratação, perda de peso e déficit energético-proteico. O médico, em conjunto com a nutricionista, pode investigar e tratar a causa da náusea e avaliar se é necessário medicamento antiemético ou outra intervenção”, encerra.
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