Ramiro Brites

A candidatura de Lula pagou R$ 31 milhões à empresa de Raul Rabelo, enquanto a de Flávio Bolsonaro investiu R$ 13,1 na agência de Duda Lima

Ramiro Brites
15/10/2026 19:07
Reprodução
A candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou R$ 31 milhões com a empresa de comunicação de Raul Rabelo, marqueteiro da campanha à reeleição. O valor é quase R$ 18 milhões mais caro do que os R$ 13,1 milhões gastos pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com a empresa F.A.R.O, de Duda Lima, marqueteiro da campanha bolsonarista.
Duda Lima fez a campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 e também estava à frente do marketing político na derrota para Lula em 2022. Ele assumiu a candidatura de Flávio antes do começo oficial das eleições. Dois publicitários fizeram a pré-campanha: Eduardo Fischer e Marcello Lopes.
Já Raul Rabelo, à frente da candidatura petista, é sócio do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Palácio do Planalto, Sidônio Palmeira, na agência Nordx Estratégia e Criatividade. Sidônio foi o responsável pela campanha vitoriosa de Lula em 2022.
Aportes no Facebook
A análise dos investimentos das candidaturas mostra estratégias digitais diferentes entre as duas campanhas.
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Enquanto Lula pagou R$ 2,6 milhões ao Facebook, que também controla o Instagram, Flávio investiu R$ 7,4 milhões – R$ 5,2 milhões a mais em impulsionamentos.
Gastos do PL
Duda Lima também recebeu quase R$ 1,5 milhão do PL. Neste ano, o partido pagou R$ 899,5 mil à F.A.R.O e R$ 540 mil para a Quilômetro 20, outra empresa do marqueteiro.
Além disso, o PL paga R$ 1,3 milhão ao Facebook. O PT não usa os recursos do partido para pagar a empresa de Rabelo, nem para a rede social.
Fogo amigo
O marqueteiro de Lula, Raul Rabelo, tem sido alvo de fogo amigo da esquerda desde a derrota para Flávio no primeiro turno das eleições.
Em entrevista à coluna, o deputado André Janones (Rede-MG), que organizou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, atacou a chegada de Lula de helicóptero no palco das greves dos anos 1970 no ABC Paulista. Segundo o parlamentar, a abordagem não conecta com o eleitor atual.
Na mesma linha, petistas têm feito críticas nos bastidores. Por um lado, Sidônio teria perdido uma queda de braço com o próprio Lula, que adotou uma campanha focada em seu legado, em vez do futuro da nação.
Por outro lado, o publicitário é culpado pelo mau desempenho da campanha, principalmente, por petistas que estavam concentrados, no primeiro turno, nas eleições estaduais.
Empate técnico
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15/10) mostra o senador Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos contra 49% do presidente Lula. Ao considerar a margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos, os candidatos estão em empate técnico. No levantamento anterior, divulgado na semana passada, o candidato do PL tinha 52% ante 48% do petista.

