Presidente voltou a falar que tem boa relação com o presidente americano Donald Trump, mas disse que 'o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim'

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição · Imagem: Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

27 set 2026 - 17h21

Imagem da matéria: Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação
Imagem da matéria: Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação · Imagem: Source: www.terra.com.br

(atualizado às 19h36)

Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação
Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação · Imagem: Source: www.terra.com.br

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Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação
Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação · Imagem: Source: www.terra.com.br

- Por: Lavínia Kaucz e Daniel Galvão

Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação
Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação · Imagem: Source: www.terra.com.br

Resumo

Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação
Lula diz acreditar na inocência de Lulinha e Marcola, mas defende investigação · Imagem: Source: www.terra.com.br

Em entrevista, o presidente Lula afirmou crer na inocência do filho Lulinha e do ex-assessor Marcola, embora apoie as apurações contra ambos, chamando a lobista envolvida no caso de "picareta". O petista elogiou o diálogo com Donald Trump, mas criticou a equipe do líder americano. Lula também defendeu o fim do Fundo Eleitoral, uma ampla reforma política, o estrangulamento financeiro do crime e a criação de um Ministério da Segurança Pública com força policial especial caso seja reeleito.

Juliana Maria Teixeira morreu aos 40 anos Foto: Reprodução/Instagram
Juliana Maria Teixeira morreu aos 40 anos Foto: Reprodução/Instagram · Imagem: Source: www.terra.com.br

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse acreditar na inocência do seu filho Fábio Luís, conhecido como Lulinha, e do seu ex-chefe de gabinete Marcola, mas defendeu a investigação de ambos. "Eu acho que o Marcola é 100% inocente. Acho que meu filho é inocente. Agora, eles não estão livres da investigação. Eles sabem a verdade", declarou, em trecho antecipado de entrevista gravada para o programa Canal Livre, da Band, que vai ao ar às 20 horas na BandNews TV.

O ministro do STF Luiz Fux Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
O ministro do STF Luiz Fux Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão · Imagem: Source: www.terra.com.br

O ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, admitiu ter recebido dinheiro da empresária e lobista Roberta Luchsinger, que prestou serviços para o Careca do INSS. Ele alega que foi um empréstimo pessoal.

Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Esteio, no Rio Grande do Sul Foto: Reuters
Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Esteio, no Rio Grande do Sul Foto: Reuters · Imagem: Source: www.terra.com.br

Já Lulinha é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência no governo em associação a Luchsinger, de quem é amigo.

Juliana Maria Teixeira morreu aos 40 anos Foto: Reprodução/Instagram
Juliana Maria Teixeira morreu aos 40 anos Foto: Reprodução/Instagram · Imagem: Source: www.terra.com.br

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição

O ministro do STF Luiz Fux Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
O ministro do STF Luiz Fux Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão · Imagem: Source: www.terra.com.br

Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Esteio, no Rio Grande do Sul Foto: Reuters
Candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Esteio, no Rio Grande do Sul Foto: Reuters · Imagem: Source: www.terra.com.br

Na entrevista, Lula chamou Luchsinger de "picareta" e disse duvidar que seu filho tenha falado diretamente com autoridades do governo. "O fato de uma pilantra como a Roberta estar falando o que ela quer falar... Eu conheço o que é o papel do lobista. Ele fala: 'Encontrei com o meu amigo, estava com ele no avião, estava com ele no hotel'. Isso não quer dizer nada."

Sobre Marcola, Lula disse que o assessor "foi de muita lealdade o tempo inteiro" que trabalhou com ele. Também afirmou que se Marcola pediu dinheiro para a lobista, foi "porque estava necessitando". E acrescentou: "O dado concreto é que ele pagou. Isso não pode ser considerado corrupção".

Na entrevista, Lula disse que tem boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas que o "pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim".

"Eu me dou bem com o Trump. Toda vez que eu converso com ele, nós nos damos muito bem. O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim. Eu digo para ele que o Marco Rubio não gosta do Brasil, não gosta da América Latina, ou seja, ele é um antilatino-americano. Mas as conversas que eu tive com o Trump foram todas boas", disse Lula.

O presidente brasileiro também defendeu a revogação do Fundo Eleitoral (veja abaixo) e falou da criação de uma "polícia especial" para combater o crime organizado nas comunidades. Ele também reforçou que, se for reeleito, seu governo vai criar um ministério exclusivo para tratar do tema segurança pública. Hoje, o assunto está sob alçada do Ministério da Justiça.

"O terrorismo na comunidade, nós vamos acabar. Aprovou a emenda constitucional, no dia seguinte está criado o Ministério da Segurança Pública, com a definição de uma polícia especial que eu quero criar, uma Força Nacional capaz de fazer intervenção em qualquer situação", afirmou.

Na avaliação do petista, intervenções federais com uso das Forças Armadas não trouxeram o resultado esperado. "Quando levava o Exército para lá para fazer intervenção, os bandidos saíam. Quando o exército saía, os bandidos voltavam. Essa Força Nacional é boa, mas não é suficiente. Nós precisamos de uma Força Nacional preparada para ser Força Nacional, com soldados preparados", explicou.

O presidente criticou ações violentas da polícia em comunidades e disse que a melhor estratégia para enfrentar o crime é por meio da asfixia financeira, porque o crime "virou uma indústria multinacional" que está na "Justiça, na polícia, no futebol, na política, no empresariado".

"É muito fácil ir lá e matar, como foi feito agora no Rio de Janeiro, no (Massacre do) Carandiru (em 1992, em São Paulo). O governador até pega popularidade naquela semana, mas aquilo não dá resultado. O que dá resultado é dar garantias às pessoas. A polícia vai ocupar de forma ordenada, mas mais do que ocupar, é preciso que o Estado tenha presença com políticas públicas em cada comunidade", destacou o petista.

Lula também explicou por que é crítico à classificação das facções criminosas brasileiras como "terroristas" pelo governo dos Estados Unidos. "Quando eu não concordo que o PCC, o Comando Vermelho, sejam terroristas, é o terrorismo do (presidente dos EUA, Donald) Trump. O terrorismo do Trump é o terrorismo de Estado. É o terrorismo do cara que quer derrubar o governo. O nosso terrorismo aqui é para a comunidade, (...) que não deixa a sociedade viver livremente", afirmou.

Presidente defende fim do Fundo Eleitoral

Na entrevista, Lula defendeu a extinção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral, para que a "promiscuidade política" chegue ao fim.

O presidente pregou ainda uma grande reforma política. Ele ligou o fim da polarização no Brasil a uma alteração significativa nas normas do sistema partidário e no financiamento das campanhas. "Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política neste País, que precisa ser feita para criar partido sério, partido que tenha manifesto, partido que tenha compromisso com a sociedade, partido que tenha bandeira, partido que tenha programa e partido que tenha um comportamento ético", afirmou.

"É preciso a gente acabar com essa história que está acontecendo na política, que é uma promiscuidade generalizada na política. A hora que a gente acabar com isso, se tiver uma reforma política digna, a gente vai ter a política outra vez sadia para o povo brasileiro", disse. Lula disse que provocar alterações nas leis do sistema político alcança de modo direto os interesses dos congressistas e das siglas. De acordo com o presidente, isso torna difícil a aprovação de modificações estruturais.

"Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político. Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está", afirmou. "Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União", acredita.

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