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Documentos internos obtidos pelo New York Times e pelo Le Monde indicam que Lionel Mpasi não havia concluído a mudança de vínculo da França para o Congo; Nigéria questionou situação antes da classificação
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Lionel Mpasi defende cabeçada de Jude Bellingham — Foto: Reprodução Cazé TV
A Fifa sabia que o goleiro Lionel Mpasi, da República Democrática do Congo, não havia concluído os procedimentos necessários para defender a seleção africana, mas permitiu que ele disputasse partidas das Eliminatórias e a Copa do Mundo de 2026. A informação foi revelada nesta terça-feira por investigações do New York Times e do Le Monde, baseadas em documentos internos da entidade.
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Mpasi, que nasceu na França e defendeu as seleções francesas de base, disputou pelo menos cinco partidas pela França, incluindo a Copa do Mundo Sub-17 de 2011. Em 2021, a Federação Congolesa de Futebol iniciou o processo para que o goleiro mudasse de vínculo internacional, mas, segundo documentos analisados pelo Le Monde, o procedimento nunca foi concluído. Mesmo assim, Mpasi estreou pela República Democrática do Congo em fevereiro de 2022 e passou a ser utilizado regularmente.
O caso ganhou importância durante a reta final das Eliminatórias africanas. A Nigéria apresentou uma reclamação à Fifa após ser eliminada pela República Democrática do Congo na disputa por uma vaga na repescagem intercontinental. Durante a análise do caso, os próprios advogados da Fifa concluíram, em março, que Mpasi era inelegível para defender o Congo.
Segundo os documentos obtidos pelo Le Monde, os juristas da entidade alertaram que a escalação do goleiro poderia comprometer a campanha congolesa. Eles apontaram que quatro partidas das Eliminatórias africanas disputadas por Mpasi poderiam estar sob questionamento e que, caso as regras fossem aplicadas, a situação poderia alterar a definição da vaga africana na repescagem.
O regulamento disciplinar da Fifa prevê que uma equipe seja punida com derrota por W.O. e multa quando utiliza um jogador inelegível após uma reclamação. Os advogados recomendaram ainda que a federação congolesa fosse punida e que Mpasi recebesse uma suspensão de seis meses. Outra possibilidade levantada nos documentos era a retirada de pontos da República Democrática do Congo nas Eliminatórias para a Copa de 2030.
Nada disso aconteceu. A Fifa decidiu não aplicar punições e manteve a República Democrática do Congo na disputa. A entidade afirma que a reclamação apresentada pela Federação Nigeriana de Futebol foi considerada inadmissível por sua comissão disciplinar e que a decisão se tornou definitiva depois que não houve recurso dentro dos procedimentos previstos. A Fifa também rejeitou qualquer sugestão de que o presidente Gianni Infantino tenha interferido no processo.
Com Mpasi liberado para jogar, a República Democrática do Congo venceu a Jamaica na repescagem intercontinental e garantiu sua vaga na Copa do Mundo de 2026, encerrando um jejum de 52 anos. Foi a primeira participação do país no torneio desde 1974, quando ainda competia como Zaire. A própria Fifa apresentou Mpasi, em março, como o goleiro titular da equipe antes do confronto decisivo.
O goleiro também esteve na lista oficial da República Democrática do Congo para o Mundial. Segundo o documento de escalação publicado pela Fifa, Mpasi, de 32 anos, então jogador do Le Havre, foi inscrito com 29 partidas pela seleção.
Na Copa, Mpasi participou da campanha congolesa, que avançou até a fase de 16 avos de final e acabou eliminada pela Inglaterra. A controvérsia agora levanta questionamentos sobre a condução da Fifa no caso e sobre o impacto que a eventual aplicação das próprias regras da entidade poderia ter tido na classificação da seleção africana.
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