Mario Sabino

Print colorido de vídeo do meme Bolsonaro hipotético
Print colorido de vídeo do meme Bolsonaro hipotético · Imagem: Reprodução/redes sociais

O Bolsonaro Hipotético é a coisa mais divertida desta campanha; o meme é mais efetivo do que o Exército do Lula, censurado por Nunes Marques

Bolsonaro Hipotético contra o Exército do Lula
Bolsonaro Hipotético contra o Exército do Lula · Imagem: Source: www.metropoles.com

Mario Sabino

13/10/2026 12:15

Reprodução/redes sociais

Acho que os memes mais divertidos desta campanha presidencial são os dos Bolsonaro Hipotético.

Os memes viralizam um Jair Bolsonaro perverso, montado em um tiranossauro e armado de fuzil, que persegue gays, intimida mulheres, explora trabalhadores, causa pesadelos em petistas e queima a Amazônia e a transforma em hub de lanchonetes McDonald’s, entre outras maldades hiperbólicas.

O Bolsonaro Hipotético é uma resposta inteligente e bem-humorada à campanha do medo perpetrada pelos militantes lulistas, que pintam a família do ex-presidente da República como a Hidra do Apocalipse.

A sátira ao discurso do PT é mais uma demonstração de como a direita domina a linguagem das redes sociais, ao contrário da esquerda.

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Como já disse mais de uma vez, as redes sociais são o terreno onde a direita conseguiu florescer e multiplicar-se, interditada que sempre foi nas escolas, nas universidades, nos sindicatos, na cultura e nos meios de comunicação tradicionais, todos eles sob hegemonia da esquerda, as exceções confirmando a regra.

É por esse motivo que a esquerda insiste em censurar as redes sociais a pretexto de coibir a difusão de fake news e de desinformação. Como se as escolas, as universidades, os sindicatos, o mundo cultural e os meios de comunicação não pudessem sê-lo também.

A diferença é que as fake news e a “desinformação” produzidas pelas redes podem ser imediatamente combatidas, ao contrário do que acontece nos campos hegemônicos da esquerda, nos quais as mentiras e as mistificações se sedimentam como material histórico com selo de qualidade.

Por falar em campanha do medo, fake news, censura, estamos diante do caso Exército do Lula. A pedido da campanha de Flávio, o presidente do TSE, o ministro Nunes Marques, tirou do ar o canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones, que, cada vez mais histérico, estaria difundindo fake news diretamente para mais de 4 milhões de pessoas, na contabilidade de hoje.

O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Boas Cuevas, derrubou a decisão, alegando restrição à liberdade de expressão — e, agora há pouco, Nunes Marques voltou a supender o Exército do Lula.

A nova decisão foi tomada depois de um relatório da área técnica do TSE concluir que mensagens veiculadas no canal foram apagadas ou editadas. A campanha de Flávio havia computado 499 mensagens apagadas.

O ministro determinou que o canal só poderá ter funcionamento normal depois da comunicação formal do endereço à Justiça Eleitoral, visto ser “incontroverso que atua em coordenação com a campanha presidencial” de Lula.

Vamos ver se vai ficar nisso. Seja como for, toda censura está errada. Se havia fake news no canal de Janones, que fossem apontadas e retiradas, sem a suspensão do canal inteiro, o que configura censura prévia.

Nunes Marques está servindo a Lula o mesmo veneno que Alexandre de Moraes serviu a Jair Bolsonaro em 2022. Mas dois erros nunca fizeram um acerto.

A minha impressão é que o Exército do Lula é composto por um monte de petistas falando para outro monte de petistas, que circulam as mensagens para uma maioria de já petistas. Não creio ser tão efetivo quando o Bolsonaro Hipotético, que, cuidado, pode estar atrás de você.