Você já ouviu falar na assacu (Hura crepitans)? Ela é uma árvore nativa da Amazônia e também está amplamente distribuída na América Central. A espécie é chamada de “árvore-do-diabo” ou “árvore-dinamite” — e não é à toa. Com um tronco coberto de espinhos, frutos que podem “explodir” quando ficam maduros e um látex leitoso extremamente tóxico, sua fama de perigo na natureza é plenamente justificável.“Ela pode chegar a até 40 metros de altura e pertence à família Euphorbiaceae, a mesma do bico-de-papagaio e da mandioca”, explica o professor de ciências biológicas Stefano Salvo Aires, da Universidade Católica de Brasília (UCB).Além dos atributos curiosos, a assacu é bastante utilizada por comunidades tradicionais, especialmente indígenas e ribeirinhos. A árvore se destaca também por seus usos medicinais, podendo ser usada como antirreumático (contra sintomas de reumatismo), anti-helmíntico (contra sintomas causados por vermes e parasitas intestinais) e no tratamento de furúnculos.“O uso deve ser feito com muita cautela por quem sabe exatamente como manejar a planta, devido à sua toxicidade”, alerta Aires. Leia também CiênciaIlha misteriosa coberta de árvores surge à deriva em lago no Canadá CiênciaAlgumas espécies de árvores podem piorar a qualidade do ar, diz estudo CiênciaAssociações tentam salvar árvore de 300 anos que sobreviveu à guerra Distrito FederalÁrvore de grande porte cai em cima de carro na Asa Norte e interdita via Entenda as particularidades da assacuO apelido de árvore-dinamite não é por acaso e ele vem dos frutos da árvore. Com o passar do tempo, os frutos do assacu ressecam, acumulando uma tensão mecânica em sua estrutura. Assim que chega ao limite, ele estoura e libera as sementes com tamanhos semelhantes aos de uma castanha para longe, o que pode atingir quem esteja perto na hora.“O fruto, quando maduro, libera as sementes por meio de uma pequena explosão, cujo objetivo é jogar as sementes o mais longe possível, mas que pode causar danos se você estiver tentando coletá-los”, alerta o professor Rodrigo de Andrade Kersten, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).Além disso, a árvore também possui um tronco com espinhos que perfuram a pele com facilidade e, ao serem cortadas, as folhas e o caule expelem uma seiva capaz de causar queimaduras graves pelo toque. “Isto é um mecanismo que evoluiu para evitar a predação”, afirma Kersten.A assacu produz um látex leitoso, conhecido popularmente como “leite de assacu”. Apesar do apelido, o líquido não é comestível como o leite de vaca tradicional. “A ingestão do látex é extremamente tóxica, causando queimaduras em todo o trato digestivo, além de intoxicação e atordoamento. Esses casos são absurdamente raros, pois ninguém consegue ingerir quantidades significativas dele devido aos demais efeitos”, afirma Kersten.Uso na pescaJustamente pela toxicidade do látex produzido pela assacu, algumas comunidades indígenas utilizam o “leite” da árvore para a pesca, passando o líquido em flechas de caça e as lançando na água para atordoar os peixes, o que torna a captura mais fácil.O que fazer se entrar em contato com a árvoreApesar da infinidade de acidentes que podem ocorrer no contato com a árvore, os especialistas afirmam que o mais comum ocorre pelo contato do látex com a pele. O simples contato com o “leite” pode causar erupções cutâneas vermelhas, queimaduras graves, irritação severa e cegueira temporária.A qualquer contato com o líquido, a principal medida é lavar com água corrente e procurar imediatamente atendimento em uma unidade hospitalar mais próximo.







