Economia / Fabio Graner

Após disparada do dólar, ministro da Fazenda conversa com Lula e coordena com BC intervenção do Tesouro: ‘Precisamos ter alguma racionalidade’
Após disparada do dólar, ministro da Fazenda conversa com Lula e coordena com BC intervenção do Tesouro: ‘Precisamos ter alguma racionalidade’ · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Fabio Graner

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Durigan afirma ao GLOBO que já conversou com Lula sobre o tema e que governo vai mirar o centro da meta de primário, revisar despesas e reduzir parafiscal

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Após disparada do dólar, ministro da Fazenda conversa com Lula e coordena com BC intervenção do Tesouro: ‘Precisamos ter alguma racionalidade’
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou em entrevista ao GLOBO que a intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, comprando papéis, para tentar ajudar o mercado a voltar à normalidade. Durigan disse que já conversou com o presidente Lula sobre o assunto e que está também mantendo conversas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para haver coordenação nesse processo com a autoridade monetária.

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— Eu conversei com o presidente por telefone para explicar a situação. Eu falei com o Banco Central, estou falando com o Tesouro. Depois de uma eleição como a que a gente passou, é evidente que nós temos que tomar todos os cuidados — afirmou o ministro.

Ele pediu racionalidade ao mercado e reforçou que a atuação do Tesouro, que recomprou R$ 7,1 bilhões em papéis, busca ajudar nisso.

— Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço, estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro, o Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez. Eu não estou falando de nível, o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade. O Banco Central está avaliando (atuação no câmbio), junto conosco para que a gente não faça uma intervenção nos juros, no título do Tesouro, e acabe pesando desproporcionalmente no câmbio. Então, nós estamos fazendo isso de maneira coordenada — afirmou o ministro.

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Durigan salientou ainda que o governo Lula vai buscar a estabilidade, trabalhar a política fiscal mirando o centro da meta de resultado primário e avançará em revisão de despesas obrigatórias e não prorrogação de parte das medidas parafiscais tomadas ao longo do ano.

— Nós vamos adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país, inclusive dívida, juros, câmbio a médio e longo prazo. Nós vamos aumentar o tamanho do superávit primário. Nós vamos trabalhar para estabilizar a dívida pública, para coordenar com o Banco Central e, na medida da autonomia do Banco Central, permitir baixar a taxa de juros — disse. — No lado da despesa, nós vamos seguir fazendo revisão de gasto, controle de gasto obrigatório e (não continuaremos com) parte das despesas financeiras feitas — completou o ministro.

Ele informou ainda que tem mantido contato com agentes do mercado e destacou que é importante que não “haja chantagem de um lado e nem retaliação de outro”.

Entenda a reação do mercado

Os mercados financeiros reagiram nesta segunda-feira à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do domingo contra o senador Flávio Bolsonaro. O dólar comercial abriu em forte alta, de 8,65%, a R$ 5,42. As negociações foram interrompidas e, quando foram reabertas, pouco antes das 10h, o dólar chegou a R$ 5,60, alta de 12,2%. Depois de nova interrupção, o dólar voltou a ser negociado nas máximas de R$ 5,60 e, de novo, os negócios foram suspensos.

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Pouco antes das 11h, os negócios foram reabertos com o dólar subindo 10,78%, a R$ 5,53. No auge, a alta de 12% superou até mesmo a variação intradiária do dólar em 1999, quando o Brasil abandou o regime de bandas cambiais e passou a adotar o câmbio flutuante. Em 15 de janeiro de 1999, no início da adoção do câmbio flutuante, o dólar subiu 11,10%.

As negociações com ações da Bolsa de Valores de São Paulo também foram interrompidas após o Ibovespa, principal índice, cair mais de 10%. Depois dos negócios serem retomados, a Bolsa afundou a queda, para 17%.

Essa disparada do dólar e a queda forte da Bolsa acionaram o mecanismo conhecido como circuit breaker, usado nos mercados financeiros e que paralisa as negociações em momento de variações muito bruscas para dar tempo para os investidores reverem seus planejamentos.

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