Desde a sua criação em 1945, as Nações Unidas têm sido um espaço de grandes discursos, porém sem efeitos visíveis na prática.

África nas Nações Unidas: uma presença inútil?
África nas Nações Unidas: uma presença inútil? · Imagem: Source: www.telanon.info

E, pior de tudo, é o continente africano, cujos líderes mantêm-se apenas como observadores ou visitantes obcecados em tirar fotos com os líderes mundiais das suas admirações.

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Cada canto do edifício da ONU em Nova Iorque fica repleto de fotos dos corruptos, incompetentes e “amontons” dirigentes africanos, sem ideia, sem nenhuma visão para criar bem-estar para os seus povos.

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O que lhes importa, refiro-me aos dirigentes africanos, é dar o longo passeio na “First Avenue, em Manhattan”, lá tirar fotos para enviar aos seus “sicofantas” no sentido de servirem de propaganda fútil que não se inscreve nos desafios dos seus povos.

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Pois, não é de estranhar, estes 54 países nem problemas endógenos elementares conseguem resolver, muito menos influenciar alguma agenda internacional.

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Para quem acompanha as reuniões da Assembleia Geral das Nações Unidas, percebe-se que a agenda principal dos dirigentes africanos que participam no evento é passear Nova Iorque, fazer as suas compras lá nas lojas de grandes marcas, de resto fazer discursos utópicos e disfarçados, carregados de embustes.

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Se olharmos desde que a organização regional, União Africana, emergiu, após a Organização da Unidade Africana (OUA) se sucumbir, o continente vai de mal a pior: nem livre circulação intracontinental dos seus filhos conseguem assegurar, nem Democracia, nem banir golpes de estado, nem reduzir a pobreza, nem conflitos armados, nem Xenofobia entre africanos. Aliás, este último nem fez eco em Adis Abeba.

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Esta é a África que sonhamos?

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A presença dos Chefes de Estado e dos governos na ONU, a meu ver, é apenas esbanjar os escassos recursos financeiros que o continente detém, que podia até servir para mitigar a pobreza que parte da população sofre. Na verdade, o que nós africanos queremos é uma verdadeira independência, queremos líderes independentes, não aqueles que se preocupam em tirar fotos com Trump, Macron, entre outros.

Não obstante, a geração pós-independência tivesse a mesma atitude, mas isso tinha alguma explicação, pois era fase incipiente da nossa emancipação, e agora não faz sentido.

Fala-se da reforma das Nações Unidas, pois África, excepto Oceânia, é o único continente que não dispõe de um membro permanente, um vazio que é mais advogado por vozes doutros continentes, ou personalidades não africanas, como António Guterres.

É altura de repensar o perfil das nossas lideranças. O que nós queremos, na verdade, são líderes patriotas, visionários e não marionetes. Se isto não acontecer, estaremos à beira de conhecer uma revolução profunda em todo continente.

As sociedades africanas deveriam ser mais corajosas em exigir dos seus líderes melhores resultados, e não estarem ao serviço dos líderes ocidentais que lhes garantem manutenção no poder sem o aval do povo.

Oiço já muitos discursos carregados de embustes dos intervenientes africanos nesta octogésima primeira reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, fiquei tão desiludido. Vi igualmente várias movimentações dos líderes africanos nos corredores do edifício da ONU, nestas movimentações, o que importa é chamar os “sicofantas” a fazer fotos e vídeos com líderes “brancos” que admiram para depois servirem de propaganda junto dos seus povos que ainda vivem no limiar da pobreza.

Se olharmos a recepção dos chefes de estado e dos governos junto ao edifício da ONU, são apenas vaiados os do continente africano, pois isso demonstra ausência da democracia, da liberdade e da boa governação em África.

África revela agora um continente totalmente falido, sem norte e sem uma agenda própria baseada nos seus desafios, pois a sua depende totalmente da agenda dos patrões colonizadores “brancos”. Nesta senda, África não vai a lado nenhum. Para África, espero eu, esta reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas termine como começou, “amontons”.

Não obstante, progressos significativos não foram registados nos anos 60, 70 ou no período que antecede as nossas independências, porém havia alguns líderes com espírito patriota; infelizmente, esses valores desapareceram totalmente com o advento da pseudo-democracia em África.

Os regimes instalados hoje no continente, parte significativa, excepto alguns, todos são serviçais do Ocidente, daí que é preciso compreender alguns destes países como sendo excelentes exemplos para África.

Se nada for feito, África será um sonho perdido!

Por: Bacar Camará, jornalista& docente!

Acra, Gana 24.09.2026

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